sábado, 15 de outubro de 2011

Homenagem ao Dia do Professor

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O Exercício de SER Professor

Fátima Miguez

Como operários em construção do conhecimento, assumimos, um dia, uma sala de aula e tudo desconhecíamos da missionária ação de ensinar. Como podíamos compreender que a paixão de educar traz dor, decepções e, também, alegrias, emoções inesquecíveis. Como podíamos, tão inexperientes, perceber que o exercício de ser professor mobiliza nossa capacidade de renovação fraterna.

Aos poucos, construindo vivências, divisamos que o professor faz o aluno e que este responde/corresponde, interativamente, à ação docente, similar aos versos do "Operário em construção", do poeta Vinícius de Moraes, ao poetizar que "o operário faz a coisa / e a coisa faz o operário".[1]Compreendemos, franciscanamente, que é dando que recebemos e que é com os pés descalços que caminhamos quando queremos sentir a firmeza dos passos no contato com o chão.

É dentro da percepção de cada instante vivido, experimentado no edifício da construção humana que crescemos como Seres e ampliamos, também, a entrega apaixonada à profissão-amada. Como já disse Vinícius de Moraes, no poema citado, aludindo aos artífices de casas e pensamentos, o operário dos seus versos "não cresceu em vão / pois além do que sabia / - exercer a profissão - / o operário adquiriu uma nova dimensão: / a dimensão da poesia."[2]

Como operários, na construção do saber, cimentamos nossos ideais de transformação no tempo / templo de nossas aulas e lançamos rimas de conhecimento na humana engenharia do crescimento. Somos operários na construção poética do amanhã. Viver o vigor da Poesia no projeto educacional é enxergar e enfrentar, dignamente, os percalços da vida com suas contradições. É saber dizer sim, mas, principalmente, dizer não, afrontando os riscos e comprometimentos do exercício profissional. É lutar por seu trabalho com "uma esperança sincera cresc(endo) no coração"[3], como o operário da construção poética de Vinícius de Moraes. É libertar-se do egoísmo limitador para valorizar aqueles que estão no processo de aprendizagem. Enfim, viver o apelo docente é saber reconhecer o Sonho como alicerce da profissão e procurar transformar essa utopia humana em realidade no tempo / templo sagrado de nossas aulas. Atender com determinação e competência a esse chamado vocacional é a meta, é o rumo, é a rota do verdadeiro mestre.

(In: Nas arte-manhas do imaginário infantil. Rio de Janeiro, Editora Nova Fronteira, 2003, páginas 135-136.)

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