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terça-feira, 21 de setembro de 2010

Número de superdotados no país pode ser maior que o apresentado pelo Censo Escolar, diz pesquisadora

Daiane Souza
Da Agência UnB
Em Brasília
Identificar uma criança superdotada não é fácil. A professora Denise de Souza Fleith, do Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília, afirma que o número de crianças e adolescentes superdotados no país pode ser maior que o apresentado no Censo Escolar, produzido pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira).
O Censo aponta que 2.769 estudantes são portadores de altas habilidades/superdotação, ou seja, 0,004% dos 55,9 milhões de alunos dos ensino básico no Brasil. “Apesar de muitas dessas crianças terem sido identificadas, há ainda um quadro maior de meninos e meninas que não foram devidamente avaliados e que por isso não aparecem nos dados”, explica.
A psicóloga diz que essa informação pode estar relacionada à má avaliação por parte dos profissionais que acompanham essas crianças. Segundo ela, o diagnóstico de superdotação deixou de ser resultado apenas da avaliação de Quociente de Inteligência, o famoso QI, no final do século XX, e outras características passaram a ser observadas para a identificação dessas crianças (vide quadro abaixo).
Identificação e avaliação do aluno superdotado
Desenvolvimento intelectual
Desenvolvimento social e emocional
Intelectualidade;
Supersensibilidade;
Criatividade;
Brincadeiras individuais;
Motivação e comprometimento com as tarefas;
Preferência por amigos mais velhos, próximos a ele mentalmente;
Habilidades superiores de pensamento;
Interesse por problemas filosóficos, morais, políticos e sociais;
Fluência e flexibilidade de ideias diante de problemas;
Persistência;
Facilidade para entender princípios gerais;
Independência e autonomia;
Generalizações;
Liderança;
Vocabulário avançado para a idade;
Alto nível de energia;
Leitura precoce;
Senso de humor;
Boa memória;
Perfeccionismo;
Boa concentração;
Iniciativa.
Curiosidade.
Essas características nem sempre são observadas pelos profissionais no momento da avaliação, o que pode ser a causa dos problemas com os diagnósticos. O objetivo da avaliação psicológica não se limita a identificar se o aluno apresenta ou não comportamentos de superdotação, mas de levantar interesses, pontos fortes e necessidades desse aluno de forma a sugerir caminhos que possibilitem um crescimento saudável.
Diagnóstico
Olzeni Ribeiro, chefe do Núcleo de Programas Especiais da Secretaria de Educação do DF, aponta que os pais muitas vezes não imaginam que seus filhos são superdotados. Acham que eles estão com dificuldades de relacionamento na escola. ”Normalmente, os professores são os primeiros a suspeitar. Os pais, quando sabem do diagnóstico, ficam lisonjeados e não percebem que se trata de um desafio”.
O Núcleo atende aos 1.207 estudantes identificados na rede de ensino do DF. Professores itinerantes passam pelas escolas, avaliam os alunos e os encaminham ao núcleo quando necessário. A orientação para as famílias é a de que elas respeitem a demanda da criança e do adolescente e os estimulem, sem pressioná-los.
Atualmente não existem políticas públicas específicas para esse público. Denise explica que apesar de muita coisa já ter sido feita, é preciso mais. “É necessário investir mais no atendimento às necessidades intelectuais, acadêmicas, sociais e emocionais dessas crianças e jovens, pensando no retorno que ele pode trazer para a sociedade”, afirmou.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Falta de acesso a ensino prejudica progresso de superdotados

 

Em cinco anos a quantidade de pessoas com alto potencial intelectual aumentou de 1.000 para 5,6 mil
Em cinco anos a quantidade de pessoas com alto potencial intelectual aumentou de 1.000 para 5,6 mil

Mesmo com o crescimento de superdotados no país, o acesso ao ensino especial ainda é limitado. Em cinco anos a quantidade de pessoas com alto potencial intelectual aumentou de 1.000 para 5,6 mil em cinco anos, porém apenas uma pequena parcela se beneficia com o atendimento devido, garantido por lei.

De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), uma média de 1,5 a 2,5 milhões de alunos no Brasil desenvolvem habilidades com alto potencial em alguma área do conhecimento. E para que seja estimulada esta capacidade o Conselho Nacional de Educação (CNE) determina que tais alunos tenham o respaldo de complementar em unidades de atendimento especializado.

No entanto, especialistas alertam que a falta de informação por parte de educadores e a estrutura precária das instituições de ensino público impedem o desenvolvimento do trabalho com grandes talentos. Um dos principais problemas no caso é a dificuldade em identificar as pessoas com estes potenciais, pois não somente alunos com alto nível de desempenho escolar são considerados superdotados.

Segundo a pedagoga e tutora do Portal Educação, Emileide L. da Costa, a falta de informações na escola e na sociedade sobre a superdotação é um dos fatores que atrasa a evolução de grandes potenciais. “Os educadores devem estar atentos a tudo que passa em sala de aula, pois a falta de assistência devida às pessoas que precisam de apoio é prejudicial ao aluno e à sociedade”, diz a tutora.

domingo, 6 de junho de 2010

Cresce nº de alunos superdotados, mas acesso a ensino continua restrito

Registros no MEC passaram de mil para 5,6 mil em 5 anos, mas a OMS estima que o País tenha até 2,5 milhões de estudantes com altas habilidades. Falta de informação e estrutura precária da rede educacional impedem desenvolvimento de talentos

Bruno Boghossian - O Estado de S.Paulo

RIO

Apesar de o número de alunos superdotados registrados pelo Ministério da Educação (MEC) ter quintuplicado em cinco anos, passando de cerca de mil para 5,6 mil, apenas uma pequena parcela da população com esse potencial tem acesso ao atendimento especial, garantido por lei. A Organização Mundial da Saúde estima que entre 1,5 milhão e 2,5 milhões de alunos no País tenham altas habilidades em alguma área do conhecimento.

"O aumento do número de registros indica que mais alunos estão tendo acesso a condições melhores de atendimento e estimulação. No entanto, os dados mostram que os jovens com altas habilidades no Brasil não estão sendo identificados", afirma Bárbara Delpretto, da Secretaria de Educação Especial do MEC.

Uma resolução do Conselho Nacional de Educação determina que todo aluno com esse potencial tenha acesso a uma formação complementar em unidades de atendimento especializado, seja em instituições pública, particular ou filantrópica.

Educadores alertam que a falta de informação dos professores e a estrutura precária da rede pública de ensino formam barreiras que impedem o desenvolvimento de grandes talentos.

Uma das principais dificuldades é a identificação desses potenciais, uma vez que não só alunos com ótimo desempenho escolar são considerados superdotados. "A superdotação pode aparecer em qualquer área da habilidade humana ? desde o raciocínio abstrato mais complexo até o trabalho artesanal mais rústico", explica a doutora em Educação pela Universidade Federal Fluminense Cristina Delou. "O professor deve estar atento para identificar características como criatividade, raciocínio lógico e capacidade de aprendizagem, não só o desempenho escolar."

Atenção especial. Garantir atenção especial pode contribuir para o desenvolvimento dos talentos dos superdotados. Alunos com capacidades de raciocínio fora do comum e gosto pela matemática, por exemplo, podem ser encaminhados a cursos em instituições de ensino superior para terem contato com conteúdos mais avançados. Aulas de piano são indicadas para crianças com alta sensibilidade musical e a prática de esportes, para desenvolver a inteligência sinestésico-corporal.

"O atendimento especializado é um acompanhamento para que a criança possa desenvolver a área em que tem maior destaque e interesse, além de solucionar dificuldades naquelas em que não se destaca", diz a presidente do Conselho Brasileiro de Superdotação, Susana Pérez.

Ignorar esses potenciais, além de representar desperdício de talento e até de mão de obra especializada, pode desestimular a formação tradicional do aluno na sala de aula comum.

"Os alunos que se destacam não conseguem avançar em seu próprio ritmo porque há uma série de colegas que seguem mais lentamente", explica Cristina. "Muitas vezes, o superdotado fica entediado, perde o interesse, se desmotiva e até abandona as aulas."

De acordo com educadores, alunos superdotados de escolas particulares têm mais chance de receber atenção especial se apresentarem sucesso em áreas do conhecimento acadêmico, como bom desempenho em provas e concursos.

"Os colégios, em geral, não valorizam os atletas, os músicos e os líderes. Às vezes, se tornam até um tormento, porque a direção não gosta do movimento que eles lideram ou não tem um programa de esportes", avalia Cristina. No caso de outras habilidades, como as artes, os pais podem procurar atividades extra-classe para estimular os potenciais dos filhos.

Já na rede pública, os alunos podem ser atendidos em centros especializados ou salas de recursos multifuncionais, mas nem sempre esses espaços estão disponíveis ou têm vagas para todos. "As escolas públicas sofrem com outras questões que as ocupam de modo intenso. Não há salas ou material apropriado para o atendimento especializado ? e o aluno superdotado não aceita qualquer tipo de material. Ele quer mais", diz Cristina.