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domingo, 23 de janeiro de 2011

Concreto, abstrato e como são representados no cérebro


 

Por definição, concreto é o que se pode experimentar sensorialmente, enquanto abstrato, o oposto. Para entender como o cérebro representa esses tipos de conceitos, um artigo publicado na revista Human Brain Mapping em 2010 reuniu e analisou dados de 19 estudos de neuroimagem sobre como o cérebro lida com o abstrato e o concreto.

Lidar mentalmente com conceitos abstratos ativa mais fortemente o giro inferior frontal e o giro temporal médio, ambos do lado esquerdo, relacionados ao processamento verbal, do que conceitos concretos. Por outro lado, lidar com conceitos concretos aumenta a atividade no córtex precúneo esquerdo, giro para-hipocampal, cingulado posterior e giro fusiforme – áreas envolvidas com a percepção sensorial. O estudo sugere, portanto, que ambos os conceitos concretos e abstratos teriam uma representação comum verbal, enquanto os concretos teriam uma representação adicional por visualização mental, semelhante a uma experiência sensorial, mas que ocorre mesmo na ausência do estímulo externo.

A diferença de tratamento cerebral dedicado aos dois tipos de conceitos pode explicar como as palavras concretas são aprendidas mais cedo e reconhecidas mais rapidamente, por exemplo, graças à possibilidade de se formar imagens mentais desses conceitos: é mais fácil visualizar mentalmente um martelo do que a liberdade. (ACMAC, 25/05/2010)

Fonte: Wang J, Conder JA, Blitzer DN, Shinkareva SV (2010) Neural representation of abstract and concrete concepts: A meta-analysis of neuroimaging studies. Human Brain Mapping 27.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Previsão do futuro: o que atletas de elite tem que você não tem.

Ao ver um jogador de basquete fazendo um lance livre, você conseguiria dizer, só pelos seus movimentos iniciais, se ele vai acertar a cesta? Provavelmente não. Treinadores e jornalistas esportivos até conseguem prever o resultado de alguns lances. Mas, segundo um estudo publicado na revista Nature Neuroscience em 2008, jogadores profissionais preveem com bastante acurácia o resultado desses lances.

No estudo, jogadores profissionais, treinadores ou jornalistas esportivos e iniciantes assistiram a clipes de lances livres, editados previamente para que só mostrassem o lance até um certo ponto do movimento. A tarefa dos participantes era decidir o destino da bola: ela “entra”, “não entra”, ou o participante não conseguia decidir.

Uma pessoa que tentasse adivinhar sem nenhuma base o destino da bola deveria acertar se ela entra ou não na cesta 50% das vezes, em média. Os jogadores de elite acertaram suas predições em 67% das vezes, mas treinadores e jornalistas esportivos e o grupo dos iniciantes somente acertaram 44% e 40% dos lances, respectivamente. Se treinadores passam tanto tempo quanto os jogadores que eles treinam acompanhando bolas voando em direção à cesta, por que somente os jogadores conseguem antecipar o resultado dos lances?

A diferença está na capacidade dos jogadores de elite de prever rapidamente o destino da bola - o que é de se esperar pela exigência de decisões rápidas neste jogo frenético. Ao assistir a clipes mais curtos em que a bola não chegava a sair das mãos do jogador, os iniciantes nem arriscavam um palpite sobre se a bola entraria ou não, enquanto jogadores, treinadores e jornalistas esportivos já tinham uma opinião formada. Mas somente os jogadores de elite é que acertavam suas predições: provavelmente, somente eles conseguem “ler” fluentemente os padrões de movimento corporal de outros jogadores, como por exemplo a cinética das pernas na hora do impulso e a flexão dos dedos das mãos- mais especificamente o dedo mindinho, segundo os pesquisadores - na hora em que a bola deixava o jogador.

Enquanto observavam os lances, as fibras nervosas que ligam o córtex motor aos músculos ficavam mais ativas nos jogadores e nos expectadores experientes do que nos iniciantes. Mas tal ativação só ocorria ao assistir a cenas do esporte em que eram especialistas (no caso, basquete); vídeos de chutes a gol não provocavam efeitos. Ao observar uma ação na qual são especialistas, portanto, o córtex cerebral aparentemente é capaz de simular essa ação - o que talvez ajude a permitir aos jogadores acertar mais frequentemente o desfecho do movimento observado (muito importante quando a vitória do seu time está em jogo!).

Curiosamente, somente os jogadores profissionais mostravam ainda uma ativação muscular mais acentuada ao ver a bola deixar as mãos do jogador e prever (acertadamente) que ela não entraria na cesta. Somente os jogadores profissionais é que sentem na pele, ou melhor, na mão, quando uma bola em lançamento terá um destino fracassado! (PfMRI, 01/5/2010)

Fonte: Aglioti SM, Cesari P, Romani M & Urgesi C (2008) Action anticipation and motor resonance in elite basketball players. Nature Neuroscience 11(9): 1109 - 1116.

sábado, 19 de junho de 2010

Estudo mostra que não temos consciência da proporção de nosso corpo

por Katherine Harmon

O cérebro, por exemplo, percebe as mãos mais curtas do que realmente são

Você conhece algo como a palma de sua mão?

Para se dar bem na vida, as pessoas precisam ter um bom senso do espaço que seu corpo ocupa. Essa noção de espaço nos ajuda a coordenar nossas atividades, como jogar futebol ou brincar com um carrinho de controle remoto. Mas isso não significa que nosso cérebro tem um senso perfeito de proporções do nosso corpo. Um novo estudo descobriu que as pessoas tendem a ser imprecisas nas proporções das próprias mãos.
Quando pesquisadores pediram para voluntários de um estudo para estimar onde as pontas dos dedos encostariam, todos erraram, supondo que suas mãos eram mais curtas do que realmente são. Os resultados fazem parte do estudo conduzido por Mateus Longo, do Instituto de Neurociência Cognitiva da University College London publicado no dia 14 de junho na National Academy of Sciences.
Ele e o coautor do estudo, Patrick Haggard, realizaram uma experiência em que o voluntário deveria colocar sua mão esquerda sobre uma plataforma iluminada, mas com suas mãos no escuro. Em média, os voluntários acharam que suas mãos eram 27,9% menores do que realmente são.
Em outro teste, exibiram aos voluntários diversas fotografias de mãos, pedindo que identificassem qual era a sua. "Conhecemos realmente nossa mão e os participantes foram precisos em escolher a fotografia da própria mão”, disse Longo. "Temos claramente uma imagem consciente do corpo, mas ela não parece ser usada para o senso de posição do corpo”.
Os pesquisadores especularam que essas desproporções podem ocorrer em outras partes do corpo também. "Esses resultados podem ser relevantes para condições psiquiátricas envolvendo a imagem corporal, como anorexia, por exemplo, quando a pessoa pensa que seu corpo é maior do que realmente é”, diz Longo. "Nossos participantes saudáveis tinham uma imagem exata do seu próprio corpo. No entanto uma falsa percepção pode preponderar em algumas pessoas, levando a distorções da imagem corporal.”
Com essas conclusões, os pesquisadores sugerem que você não diga mais “conheço essa cidade como a palma da minha mão!”